Nota à imprensa: Sobre a aprovação de vacinação em farmácias

A vacina é um medicamento, mas a vacinação é um serviço médico, diz ABCVAC

É com grande receio e insegurança que a ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE CLINICAS DE VACINAS – ABCVAC recebe a notícia da nova resolução que permite que qualquer estabelecimento de saúde faça vacinação, incluindo farmácias e drogarias. E quando falamos em insegurança, nos referimos especificamente à segurança dos pacientes.

Ao longo dos últimos 17 anos, nós, como clínicas privadas de vacinas, nos submetemos a regras muito rigorosas para desempenharmos este serviço à sociedade. Regras que foram fundamentais para o sucesso que o segmento abraça hoje em dia. O empenho das clínicas em cumprir cada exigência com prioridade fez com que a qualidade do atendimento atingisse níveis de primeiro mundo.

Porém, o cenário que vem se desenhando com base em tudo o que tem sido discutido para que as farmácias possam iniciar a atuação nos serviços de vacinação não é positivo. Com o argumento de que permitindo que as farmácias ofereçam as vacinas o acesso à imunização será ampliado, a regulamentação acaba por flexibilizar algumas das exigências, o que é absolutamente desinteressante para o setor e para a população.

Aumentar o acesso é sim um interesse para o país e nós, da ABCVAC, somos a favor de garantir que todo e qualquer cidadão brasileiro consiga ser imunizado e garanta a qualidade de vida que estamos prontos para oferecer. Porém, facilitar o procedimento ao custo da segurança não é o caminho.

Além dos inúmeros questionamentos quando às instalações físicas, há diversos outros pontos que nos preocuparam durante a consulta pública realizada. Hoje, a legislação obriga as clínicas de vacina a terem um diretor técnico médico por acreditar que esta é a especialidade que tem mais capacidade e conhecimento para garantir a saúde do paciente vacinado. Nossa preocupação principal é: em caso de um evento adverso, o farmacêutico terá o know how necessário para traçar o melhor procedimento para aquele paciente? A vacina é um medicamento, mas a vacinação é um serviço médico.

Outro contexto que precisa ser discutido é a capacidade de atendimento da indústria. Sofremos há cerca de dois anos com a falta de vacinas. Pulverizar as doses existentes, que já não são suficientes para atender a população, realmente amplia o acesso? Ou esta é apenas uma falsa sensação e o acesso pode inclusive tornar-se mais restrito?

Se hoje temos um baixo índice de eventos adversos nos serviços de imunização, o temos justamente por seguirmos regras bastante rígidas para a garantia da qualidade e da segurança. Baixar a guarda representa tolerar o aumento desses eventos adversos, significa colocar a população em risco e criar um cenário que não condiz com uma evolução, mas sim com um retrocesso.

Você pode gostar...